Como era um feudo na Idade Média?
Por Roberto Navarro
access_time19 ago 2016, 17h34
- Publicado em 18 abr 2011, 18h49

As grandes propriedades rurais da
época medieval eram divididas em três categorias de terras. A primeira – que
englobava a maior parte do solo cultivável – era o chamado manso senhorial,
onde tudo o que se produzia pertencia ao senhor feudal, o dono da fazenda. Os
servos trabalhavam em todas as terras, mas só podiam tirar seu sustento dos
minúsculos lotes que formavam a segunda categoria de terras, o manso servil.
Por fim, os bosques, florestas e pântanos eram coletivos – ou quase isso: os
animais maiores só podiam ser caçados pelos senhores. Apesar de costumarmos
chamar esse tipo de propriedade de feudo, os especialistas alertam que esse não
é o termo mais correto. “A palavra ‘feudo’, utilizada pela primeira vez no
século 9, designava qualquer bem dado em troca de alguma outra coisa”, diz a
historiadora Yone de Carvalho, da PUC de São Paulo. Portanto, na Idade Média,
feudos eram todos os bens e tributos trocados entre nobres – incluindo aí as
propriedades, que eram mais conhecidas como senhorios. Esse sistema de trocas
regulava todas as relações entre os nobres medievais. Por exemplo, um nobre
ganhava o título de senhor quando dava um pedaço das suas terras a outro nobre,
chamado de vassalo. Esse vassalo, por sua vez, podia cobrar uma espécie de
aluguel sobre seu moinho, tornando-se senhor também. Em resumo, o dono de um
“feudo” – ou melhor, senhorio – obedecia a seu senhor, mas também tinha seus
vassalos. Para facilitar, o “feudo” que retratamos ao lado é o mais simples
possível, com apenas um dono e seus servos.
Mergulhe
nessa
Na livraria:
O Feudalismo – Paulo Miceli,
Atual, 1994
Fazendão
medieval Nobres
viviam em castelo, enquanto os servos se espremiam numa vila para até 60
famílias
DEUS É FIEL
Embora a
casa senhorial geralmente tivesse sua própria capela, uma pequena igreja era
construída nas imediações da vila. Uma parte das plantações, conhecida como
“acre de Deus”, era doada à Igreja pelo senhor feudal. Os servos dedicavam
parte do seu tempo cultivando essas terras, além de repassar um décimo dos seus
ganhos à paróquia
COZINHA EXTERNA
Geralmente,
o forno era construído fora do castelo, para evitar incêndios. Era uma
instalação grande, de pedra e tijolos, onde enormes espetos de ferro permitiam
assar até mesmo um boi inteiro. Ao seu lado podiam existir prensas para
produzir vinho, azeite ou farinha. Os servos pagavam uma taxa para usar essas
instalações
CARROSSEL AGRÍCOLA
As
plantações seguiam um sistema de rotação. Os campos aráveis eram divididos em
três partes, mas, para não esgotar o solo, apenas duas eram cultivadas ao mesmo
tempo. Depois da colheita, outra parte repousava e, assim, mantinha-se o
cultivo ao longo do ano inteiro. Os servos passavam mais de metade da semana
trabalhando nas terras do senhor ou da Igreja. No resto do tempo, eles
cultivavam seus próprios lotes
FLORESTA ENCANTADA
Além de
fornecer madeira para lenha e construções, o bosque era usado para caçadas. A
princípio, essa era uma área comum, embora os animais maiores só pudessem ser
abatidos pelo senhor feudal. Aos servos restavam os coelhos e esquilos. A
colheita de frutas silvestres, castanhas e mel era livre, mas muitos evitavam
entrar nos bosques, temendo o ataque de bruxas e figuras maléficas
VIDA EM SOCIEDADE
Localizada
perto das lavouras e de uma fonte de água (rio ou lago), a vila reunia de 10 a
60 famílias. Os casebres tinham apenas um cômodo, sem chaminé ou janelas. As
paredes eram feitas de barro reforçado com palha e a cobertura, de sapê. Nos
arredores, pequenas hortas forneciam frutas e legumes. A fauna contava com
galinhas, além de gatos e cães sem dono
LAR, RICO LAR
Na forma
de um castelo ou simplesmente de um casarão de pedra, a residência senhorial
abrigava o senhor feudal, sua família, seus empregados e encarregados da
administração da propriedade. Em épocas de conflito, também servia de quartel
para suas tropas. Os senhores mais abonados tinham várias casas espalhadas ao
longo das suas terras — alguns chegavam a ter centenas delas
REI DO GADO
Tão
importantes quanto as terras aráveis eram as campinas, onde pastavam os
rebanhos de gado e ovelhas, além dos animais de carga e arado. Essas áreas
podiam ser de uso comum, mas os cavalos e rebanhos do senhor feudal eram
tratados pelos servos. Como não se produzia feno, muitos rebanhos eram
dizimados durante os inversos mais rigorosos
EU BEBO SIM
Lagoas e riachos represados eram
as fontes de água do senhorio, mas o medo de contaminação levava muitos a beber
um tipo de cerveja da época. Parece justificativa de bêbado, mas não é.
Primeiro, porque a cerveja era ruim e tinha baixo teor alcóolico. Segundo,
porque era mesmo mais seguro que tomar a água medieval…
Questões:
1) Qual o assunto do texto?
2) Quais eram as divisões do feudo?
3) Quem vivia nos Castelos?
4) Por que as pessoas preferiam beber cervejo do que água?